Clubes afirmam que AFA “manteve-se irredutível”

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Doze clubes da Divisão de Elite do campeonato Sabseg reuniram-se com a Associação de Futebol de Aveiro (AFA), na passada quarta feira, com o intuito de discutirem quatro pontos, já acordados entre eles, relativos às dificuldades financeiras que os clubes atravessam, neste momento. Entre o grupo de clubes marcaram presença na reunião o Atlético Clube de Cucujães (ACC), a Juventude Desportiva Carregosense (JDC), o Sporting Clube de Bustelo (SCB) e o Futebol Clube Cesarense (FCC), onde viram ser discutidos o pedido de adiamento do campeonato, a redução das taxas de jogo, a facilitação do pagamento das inscrições da formação e questões alusivas aos testes da Covid-19. O único ponto que obteve uma atenção por parte da AFA foi referente ao pagamento faseado das inscrições, sendo que, agora, os clubes podem pagar 25 por cento do valor inicialmente e o restante saldar num prazo de 120 a 160 dias. Quanto aos restantes assuntos, mantiveram-se iguais. “Não estavam reunidas as condições para iniciar o campeonato” “Nós achamos que não estavam reunidas as condições para podermos dar início ao campeonato derivado à pandemia que existe”, disse o presidente do ACC, Rogério Cavaleiro, em declarações ao Correio de Azeméis, explicando a razão por que foi pedida uma reunião à AFA. “Os jogadores querem começar a época e o ACC sente-se preparado, só é contra o início da época nesta altura, sem público. A essência do futebol é o público”, sublinhou. O facto de não haver espectadores implica a falta de receitas nas bilheteiras, no bar e de outras atividades “e as despesas continuam” indicou Cavaleiro, ao referir que os clubes têm “que pagar as taxas de jogo e as inscrições dos atletas”, de igual forma. “A nossa luta não venceu, a associação poderia esperar mais duas ou três semanas e depois se não houvesse ordem para haver público, logicamente tínhamos de ir para a luta”, expôs o líder cucujanense. “Era melhor não assumir o início do campeonato” O diretor desportivo do Carregosense, João Campos, é também da opinião de que “era melhor não assumir o início do campeonato” porque diz que é “assumir consequências” uma vez que ao interromper o campeonato, caso a situação pandémica se complique, “tem custos para os clubes”. A falta de receitas resultará numa “época extremamente complicada”, segundo o diretor, que ainda relembra os custos acrescidos que os clubes terão, no que concerne às medidas de contingência à Covid-19. “O Carregosense vai perder no orçamento, sem público, cerca de 30 por cento”, afirmou João Campos. No que diz respeito aos testes à Covid, ainda é um assunto ambíguo para ambas as partes. “Se tivermos três ou quatro infetados, temos de assinar um termo de responsabilidade pelos atletas e responsabilizarmo-nos pelos testes”, informou João Campos. “Acho que isto é facilitar, se começássemos daqui a meses, os clubes conseguiam reestruturar-se. A qualquer momento entramos numa situação de calamidade e acho que era melhor prevenir”, disse. “Senti-me extremamente desanimado com a AFA porque outras associações adiaram”, confessou o diretor carregosense ao adiantar que eram 12 os clubes que, inicialmente, pediam o adiamento do campeonato e passaram a sete “a pensar no futuro e na saúde” dos atletas e dos clubes. “Os clubes não estão preparados para os imprevistos que possam surgir” Os clubes tinham-se unido, numa reunião privada, onde ficou acordado, entre todos, pedir uma audiência à Associação para fazer os pedidos já mencionados. “Chegaram a estar um número de equipas que faziam a maioria, mas houve clubes que tiveram uma postura muito má, disseram uma coisa e fizeram outra”, desabafou o vice-presidente do Bustelo, António Godinho. A mudança de decisão de quatro clubes ditou a decisão da AFA em prosseguir com o campeonato. “Vamos entrar no dia 15 em contingência, estamos a ter muitos números de casos de Covid”, declarou António Godinho, que não entende o “porquê de começar um campeonato com estes problemas todos”. Ainda assim, o vice-presidente afirma que “o Bustelo sente-se preparado” para o arranque, só não está preparado “para enfrentar a vaga de Covid que aí vem”, confessou. “As medidas de contingência para o jogo são extremas e os clubes não estão preparados para os imprevistos que podem surgir”, adiantou, explicando que têm jogadores que se recusam a jogar havendo um infetado. “O futuro nos dará razão ou não”, finalizou. “Ninguém nos garantia que, com o adiamento, pudesse haver público” Do ponto de vista do Cesarense, o presidente Francisco Azevedo admite que perceberam que “haviam vantagens em adiar o campeonato, mas também haviam desvantagens” e a posição do clube “talvez foi o que levantou mais polémica, foi neutra”, assumiu. Segundo Francisco Azevedo, alguns clubes mostraram-se disponíveis para jogar caso os custos das taxas de inscrições e de jogo “fossem ajustadas e não fossem só os clubes a perder receitas, mas a Associação ajudar também os clubes”, disse. “Fiz questão de transmitir ao presidente (da AFA) que me desilude um bocado (as circunstâncias), porque se estamos todos juntos, temos que fazer um esforço e devia ser repartido por todos”, adiantou ao explicar que os motivos do Cesarense prendiam-se aos pontos referentes à parte financeira. “Ninguém nos garantia que, com o adiamento, pudesse haver público” portanto “não seria vantajoso para o clube porque os gastos já estão a ser feitos”, por isso “o Cesarense ficou neutro”, explicou o líder do clube. “Quanto aos outros pontos, a Associação manteve-se irredutível”, informou Francisco Azevedo ao acrescentar que “toda a gente preocupou-se muito com o adiamento e talvez estas medidas tenham mais importância”. Quanto à realização dos testes à Covid-19, a situação ainda continua por esclarecer.   REINVENTAR É A PALAVRA DE ORDEM “Se não têm dinheiro não se podem inscrever” A Associação de Futebol de Aveiro (AFA) orgulha-se da organização do campeonato, adequado aos tempos que se vive, devido à pandemia. A propósito da contestação de alguns clubes, o presidente Arménio Pinho afirmou que “não podemos colocar em causa a funcionalidade da Associação”, lembrando que caso os clubes não tenham dinheiro para assumir, não se podem inscrever. “Não havendo competições não há associação”, declarou em entrevista à Azeméis FM/TV, no programa ‘Desporto em Análise’ com Hermínio Loureiro. O presidente referiu que se reuniu várias vezes com os clubes de forma a esclarecer todas as normas a seguir pela DGS e quais seriam os termos de relação entre os clubes e a associação, no que diz respeito aos planos de contingência, a formação, taxas de jogo e o início do campeonato. “Sabemos que não vai ser uma linha reta, vai ser em zigue-zague. A coragem é nossa e dos clubes” afirmou. O arranque do campeonato ficou ditado pela maioria e, segundo Arménio Pinho, a estrutura foi toda revisada. Para o dirigente trata-se de uma questão de respeito também pelos jogadores “que já treinam há um mês e não são máquinas”, indicou, ao explicar que “os dirigentes dos clubes têm que ter responsabilidade em gerir o dinheiro e em reinventar-se”. As taxas de jogo não foram reduzidas uma vez que a associação também tem “encargos da mesma forma que os clubes têm”, explicou. “O nosso campeonato é forte em termos de público e também estamos preocupados com isso”, reiterou o líder da AFA ao anunciar que se propôs à Federação Portuguesa de Futebol servir de cobaia e colocar pessoas nos estádios, no decorrer do campeonato, de forma reduzida e controlada, respeitando o distanciamento. “É altura de alguém colocar esperança à frente e igualar o futebol a outras atividades”, disse.

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