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Correio de Azeméis

11 Jan 2022

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Lama no acesso à ZI de Loureiro

Destaques Concelho

> EMPRESÁRIOS REVOLTADOS E CÂMARA LAMENTA

O único acesso à Área de Acolhimento Empresarial de Ul/ Loureiro está praticamente intransitável há mais de um mês. A zona encontra-se num pleno lamaçal e tem causado diversos constrangimentos a empresários e colaboradores que se vêem obrigados a ultrapassá-la diariamente para se deslocarem para o local de trabalho. As queixas têm sido várias e muito recorrentes.

Para além disso, a zona é constantemente utilizada por camiões e veículos de grande dimensão responsáveis por servir as empresas ali sediadas. O Correio de Azeméis deslocou-se ao local para averiguar o estado da situação e captou algumas imagens do troço da Rua da Moura. 
A AEE de Ul/ Loureiro está, desde o início de 2021, a ser alvo de uma intervenção profunda em três arruamentos, com um investimento avaliado em cerca de 530 mil euros. Segundo a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, a duração prevista era de 240 dias (8 meses), mas o período já se estende há 10 meses, sendo que os empresários afirmam que a mesma está parada há mais de um mês. A obra visa, assim, “qualificar a entrada norte da Área de Acolhimento Empresarial, permitindo conferir condições dignas a empresas já instaladas e potenciar a instalação de futuras empresas”, referiu a autarquia em declarações ao Correio de Azeméis.

Autarquia tenta “recuperar atraso”
Questionada pelo Correio de Azeméis, a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis lamentou “todos os constrangimentos que têm sido provocados a todos os utilizadores” da Área de Acolhimento de Loureiro. No entanto, o executivo garante estar a “diligenciar junto do empreiteiro a recuperação desses atrasos e a melhoria das condições de transitabilidade”, causados, sobretudo, pela pandemia e, também, pelas condições climatéricas adversas.  “Como é do conhecimento público, a pandemia tem causado enormes constrangimentos à atividade económica, efeitos que se têm sentido particularmente no setor das obras públicas, que se debatem com dificuldades de recursos humanos, escassez de materiais e atrasos na logística dos fornecimentos”, referiu. 

O presidente da câmara fica mal na fotografia 
A câmara tem que ter capacidade de acompanhar a dinâmica dos nossos empresários. Não pode haver investidores que construíram as suas fábricas numa zona industrial que não tem acesso capaz. É inaceitável. A câmara invoca várias dificuldades de execução da obra. Acreditamos que é sincera a justificação. O que não diminui a responsabilidade. Assume incapacidade para fazer obras num acesso a uma zona industrial. Muito mau. Azeméis é indústria. São empresários empreendedores. Geradores de emprego, de riqueza, de impostos. O senhor presidente da câmara fica muito mal nesta fotografia. Queremos acreditar que o presidente da câmara tem capacidade para conseguir fazer estas obras, que desesperam os empresários da zona industrial de Loureiro. Estes não compreendem. Há anos a aguardar o acesso. Cada inverno é um calvário. Não se admite num concelho com a nossa força empresarial. Acredito, caro presidente da câmara, que é capaz de resolver com urgência este grave problema. Acredite também e faça a obra! 
eduardo costa, diretor
 

“A obra está parada” - A desilusão dos empresários

Carlos Teixeira,
CEO Cheto

“Quando a empresa CHETO decidiu investir na Área de Acolhimento Empresarial (AAEUL), onde eu tive uma preponderância na decisão, houve a promessa que a construção dos acessos, infraestruturas básicas e energia estaria garantida para breve. Volvidos cinco anos, ainda se mantém a mesma situação encontrada, aquando do início da construção do pavilhão industrial da CHETO à exceção da parte elétrica. A rede de saneamento ainda não se encontra ligada à estação de tratamento de resíduos, prometida mas não construída, o que, para nós, enquanto empresa, preocupada com o meio ambiente, é inaceitável. A presença do conjunto empresarial naquele local, para o território vizinho, caracterizado pela construção de habitação cuja principal atividade local se baseia, sobretudo, na agricultura, não está a ser bem acolhido, uma vez que a presença contínua de veículos pesados em circulação, diariamente, coloca as pessoas inseguras e com um ambiente poluído e um espaço de circulação totalmente destruído. A empresa CHETO considera inaceitável manter as promessas constantes, quando o Estado pune todos aqueles que não cumpram as suas obrigações. É obrigação do Estado garantir fácil acesso às empresas para que possam, livremente, realizar as suas atividades e, ao mesmo tempo, garantir uma melhoria da qualidade de vida dos residentes daquele território. Sabemos, desde abril de 2021, que a obra estaria consignada para realização e que a previsão da sua conclusão seria no final do ano. Em janeiro de 2022, como é do conhecimento público, mantém-se uma situação ainda pior, graças ao agravamento das condições do tempo no inverno, ainda com a obra por concluir.  A obra está parada desde dezembro de 2021 e o que verificamos é a descoordenação dos trabalhos e a falta de uma equipa de fiscalização capaz. No processo, verificou-se que não houve validação da parte da Cooperativa Elétrica de Loureiro, nem muito menos a informação do projeto adjudicado. Os processos de expropriação não estavam acautelados (fechados?) aquando do início da obra, o que obrigou a alterações e, com isso, mais atrasos e custos. E ainda, com uma intervenção desta envergadura, os empresários não foram chamados a emitir qualquer parecer, não foram informados quanto aos prazos ou inclusivamente sobre a solução. Sinto que há uma falta de sentido democrático e de participação neste processo. E a equipa que projetou? Tem alguma responsabilidade? E o município, onde paira, em todo este processo? Repare que a obra, ao ter derrapagem, de natureza variada, tem custos acrescidos, naturalmente. A sociedade, em geral, está sensível a este tipo de situações e considera inaceitável, naturalmente. E os custos para as empresas? Para quem as visita e para quem nelas trabalha? O custo diário de quem percorre estes territórios e de quem vive nestes territórios? Alguém consegue imaginar? Infelizmente não! O Município tem que olhar para as empresas como parceiras, para as incluir nas decisões efetivas do concelho e não para garantir um financiamento local para as suas candidaturas ou partidos”. 
Carlos Teixeira, CEO Cheto

Hernâni Silva,
​​​​​​diretor financeiro
da SF Moldes

“Na minha opinião, a título pessoal, mas penso que extensiva a todos os colaboradores da empresa, considero esta situação muito desagradável. Compreendemos que isto é decorrente de uma obra, mas, de facto, a obra está a ter uma demora excessiva (…) tem provocado muito constrangimento e temos recebido bastantes manifestações de desagrado por parte dos trabalhadores (…) Há algumas semanas já taparam alguns buracos, mas com as condições climatéricas que temos tido já voltou tudo ao mesmo (…) não vejo qualquer tipo de desenvolvimento na obra, e terminá-la é a única solução para este problema”.

Hernâni Silva, diretor financeiro da SF Moldes

 

 

 

 

Armando Gomes, 
proprietário da Covema

“Manifesto a minha desilusão quanto ao que nos obrigam a todos os que diariamente têm que utilizar e a quem nos visita o acesso à área de acolhimento. Não serei o único a indignar-me com a forma como estamos a ser tratados pela autarquia. Não se faz o que nos estão a fazer. É uma vergonha para a autarquia o que permitem ao construtor que anda desde março/abril de 2021 a fazer a obra como se do quintal deles se tratasse, pois faz o que quer, quando quer e não deve satisfações a ninguém. Seria exigido, pelo menos, na zona de circulação, uma intervenção concentrada para que fosse rápida, e não andarmos todos os que ali passamos a esbarrar todos os dias com estas condições paupérrimas. Estão em todo o espaço da obra e não concluem nada, digno dum país de terceiro mundo. Não há ninguém da câmara que fiscalize e lhes imponha condições dignas a quem ali passa. O tempo que está a levar para fazer um arranjo interior, é inaceitável, inconcebível nos dias de hoje. O que será preciso fazer para não termos que continuar neste filme? É demais”
Armando Gomes, proprietário da Covema

 

 

Albino Soares,
proprietário da Lasertig
e Inovbetão

“A lama está a causar problemas a toda a gente. A obra começou sem qualquer planeamento e sem comunicação com moradores e empresários da zona (…) Não percebo por que é que não estão a trabalhar apenas uma faixa da estrada e não deixam a obra livre para circulação, é incompreensível (…) Os trabalhadores ficam com os carros sujos e estragados, tal como os camiões das cargas e descargas. Temos ali um inferno (…) não vejo a obra a andar, não se admite” 
Albino Soares, proprietário da Lasertig e Inovbetão

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