Três anos de projeto e nove meses de obras

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Arquiteta Ana Isabel Silva fala sobre as obras na igreja

O projeto de requalificação da Igreja Matriz remonta a 2019, quando estudos técnicos denunciaram os erros cometidos nas obras anteriores, sobretudo no que diz respeito ao pavimento. A monitorização do soalho evidenciou a impossibilidade de reaproveitar o material. Foram descobertos buracos, ondulações e dilatações na madeira. Por isso, o malefício partia da caixa de ar, que corroía o piso. As explicações foram prestadas pela arquiteta responsável pela mais recente intervenção na igreja, Ana Isabel Costa e Silva.

O antes...
...e o depois: o renovado espaço litúrgico, à direita

Fotos: @anadacostaesilva 

Sobre as obras terminadas até 2017, a arquiteta lembra a importância de analisar “o edifício como um todo, um organismo, pois, caso contrário, achamos que a solução é perfeita, mas o problema vai replicar-se”. Assim, explica, o novo projeto previu empreitadas em todo o pavimento e no exterior, onde residia a resposta para os problemas. Dessa forma, foi escavado um fosso perimetral, no qual foi construída uma caixa em toda a dimensão. Por fim, o espaço exterior foi redesenhado.
Após a reabertura da Igreja Matriz, Ana Isabel Costa e Silva ressalva que o processo não está concluído. O pavimento exterior permanece em cubo de granito e por fechar, situação decorrente da dificuldade em “encontrar os profissionais indicados para rematar o trabalho”. Em simultâneo, a última porção da nave vai ser terminada nas próximas semanas, garante a arquiteta. Por fim, Ana Isabel Costa e Silva reitera: “devemos habituar-nos à ideia de que o edificado precisa de manutenção, é um trabalho contínuo; é um organismo que vai sempre ter essa necessidade”.

De regresso ao interior da igreja, Ana Isabel Costa e Silva enuncia os principais detalhes a saber quanto ao novo pavimento:
- As rampas e degraus à entrada foram abolidos, a fim de nivelar o piso;
- Houve o cuidado de preservar e definir as construções antigas;
- A intervenção interior evita que a madeira entre em contacto com as paredes de pedra no exterior;
- “Vai ser um espaço acolhedor e para a permanência”. A arquiteta revela que foram excluídos os aquecedores nas paredes, substituídos por aparelhos térmicos integrados no pavimento. Além disso, o piso, doravante, não acompanha o caminhar com sons ocos.
- Os azulejos foram fabricados e pintados com técnicas antigas, de forma a repor o desenho original.
 

 

 

 

 

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