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Correio de Azeméis

11 May 2021

“A cidade de hoje não será a de 2023”

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O início do procedimento da segunda revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) de Oliveira de Azeméis já arrancou e os cidadãos poderão formular sugestões e apresentar informações a este respeito até ao final deste mês. De forma a perceber que tipo de mudanças poderão acontecer, o Correio de Azeméis pediu a opinião do arquiteto Rui Lopo, que afirmou “que atendendo ao histórico das revisões do PDM, não se vislumbram grandes mudanças no regulamento”. Marta Cabral Sendo o PDM um regulamento que também serve para as pessoas saberem o que é permitido ou não fazer mediante as novas regras de classificação e qualificação do solo, o arquiteto Rui Lopo considera que seria “benéfico e uma boa estratégia aumentar consideravelmente o índice de máximo de construção no centro da cidade e na primeira periferia direta”. Rui Lopo acredita que são as pessoas que fazem a cidade e que são elas que lhe dão vida e, como tal, “quantos mais habitantes Oliveira de Azeméis tiver, maior e exponencial será o crescimento de tudo o que gravita em torno da cidade”, como, por exemplo, a revitalização do comércio, melhores serviços e mais equipamentos culturais e desportivos. “Claro que as construções em altura teriam se ser devidamente harmonizadas com a envolvente, por forma a garantir um equilíbrio urbanístico”, afirmou. “Falar do PDM é falar de pessoas”, reforçou. Questionado sobre a situação atual da construção no município, o arquiteto referiu que, “atualmente, estão em curso vários projetos na cidade que certamente funcionarão como âncoras, capazes de atrair mais visitantes e quiçá mais habitantes”, como é o caso da revitalização do antigo CineTeatro Caracas, a transformação do Mercado Municipal em Centro Coordenador de Transportes, a requalificação da antiga Garagem Justino para acolher um futuro Centro de Artes e alguns projetos a edificar nas freguesias, como a ampliação da Casa-Museu Ferreira de Castro para a criação de um centro interpretativo da obra do escritor e a requalificação do antigo apeadeiro de Cucujães para dar lugar a um albergue de peregrinos. “Todas estas obras podem trazer mais vida e ajudar a colmatar falhas na cidade, mas a habitação é o ponto fulcral”, enfatizou. “Os mais novos têm de sentir que há vanguarda” Na análise ao PDM, Rui Lopo disse que há muitas coisas antigas que mereciam ser recuperadas, uma vez que a antítese entre o antigo e o moderno “resulta”. “A cidade antiga confere-nos a parte histórica e dá-nos identidade, enquanto a parte moderna serve para os jovens morar”, exemplificou. “Os mais novos têm de sentir que há vanguarda e condições para permanecer, porque, no fundo, têm de pensar que a cidade não parou no tempo. Se o PDM permitir mais construção, poderia ajudar nesta grande mudança”, reforçou. O arquiteto afirmou, ainda, que se verifica um aumento de investidores na cidade e que se nota uma maior abertura da parte dos construtores para avançar com novos empreendimentos habitacionais. “São visíveis algumas gruas e o aparecimento de novas construções em Oliveira; devemos aguardar. A cidade de hoje não será a cidade de 2023”, refletiu. “Desejo que as pessoas possam voltar a morar no centro e que se fixem”. A construção na grande periferia do município, essa sim, na opinião do arquiteto, deveria diminuir, pois todas as infraestruturas necessárias para servir essas construções “tornam o investimento avultado” e “quase sempre incapaz para qualquer Câmara”. Zona desportiva está “claramente bem definida” Segundo Rui Lopo, a zona desportiva de Oliveira de Azeméis está “claramente bem definida”, desde o complexo de ténis e os campos de futebol até ao Pavilhão Dr. Salvador Machado, destinado a várias modalidades. O arquiteto acrescentou que tem conhecimento de várias ideias pensadas para o desporto, no sentido de “ampliar a oferta formativa e competitiva”, concluindo que, “se avançarem, darão oportunidade para diferentes modalidades crescerem e terem o seu próprio espaço”. PDM não deverá trazer alterações para problemática do estacionamento Adotar novas medidas que antecipem aquilo que a cidade vai precisar a médio e longo prazo seria, na perspetiva do arquiteto Rui Lopo, uma estratégia “inteligente”. “Este é o ponto sensível na evolução das cidades: a existência de um grande número de carros e o hábito da maioria das pessoas em deslocar-se deste modo”, exemplificou. “As cidades como Oliveira de Azeméis, naturalmente, não estão preparadas para responder ao desafio do estacionamento”, concluiu.

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