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Correio de Azeméis

31 Mar 2022

“Ele é o anjo da paz da nossa casa”

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Manuel Coelho e Helena convidam todas as pessoas a felicitar Arménio pelos seus 50 anos, no dia 31 de março

“O meu menino…”, é assim que Helena e Manuel Coelho se referem ao seu filho Arménio, que faz 50 anos no dia 31 de março e que sofre de paralisia cerebral. Um menino muito especial, nascido de um parto difícil, onde foram necessárias mais de 13 horas e o recurso a ventosas para o Arménio vir ao mundo.

Arménio Coelho nasceu com paralesia cerebral 

É com sofrimento e angústia que Helena descreve a negligência por parte dos enfermeiros e a falta de cuidados que fizeram com que algumas células no cérebro de Arménio morressem, deixando-o assim condenado para o resto da sua vida.
“Dei entrada no hospital por volta das 21:00h e a enfermeira que lá estava disse-me que por volta das 23:00h/00:00h o bebé deveria nascer. Deixou-me sozinha e foi ver a novela, nunca mais veio ver como estava. Eram 03:30 da manhã e eu estava mal e levantei-me, pouco tempo depois a enfermeira aparece e perguntou se eu me tinha levantado. Eu disse que sim, a resposta do outro lado foi que o bebé, entretanto já tinha subido mais e que já ia ser um parto difícil, tinha de esperar pelo médico que só chegava de manhã”, recorda Helena Coelho, ao Correio de Azeméis, na época com 29 anos.
Todas estas emoções completam-se com a notícia de que a esperança de vida do Arménio poderia a vir a ser muito reduzida, no entanto, cada ano que passa, é mais uma conquista e mais uma meta alcançada. É especialmente, neste dia que recordam com a maior das felicidades o quanto este menino foi desejado e orgulham-se de todo o amor que lhe dão.
Foi uma vida dedicada ao filho. Helena deixou de trabalhar aos 29 anos para se dedicar a 100% aos seus cuidados. Algo que Manuel Coelho relata com uma enorme admiração sobre a sua mulher.
“A maneira como ele é tratado é tudo. A mãe, é mãe, é enfermeira, é cuidadora, é tudo. Está sempre em cima dele, não o deixa por nada. Muitos com aquela idade e com esta doença, têm feridas, e ele não, tem o corpo lisinho, porque a mãe está sempre lá”, enaltece.
O que tem sido mais difícil nestes últimos anos, admitem, é a falta de apoios, apenas com a reforma de Manuel e com uma pequena contribuição do Estado que é oferecida a Helena por ser cuidadora informal, o casal tem feito muitos esforços para conseguir dar o melhor a Arménio.
Recusam que o seu filho frequente uma instituição, e apesar de já terem tido a oportunidade de o colocar numa das melhores do país, sabem que o que tem mantido Arménio vivo por este tempo todo é o amor e carinho do conforto de casa, que mais ninguém lhe poderá dar. De manhã à noite, cobrem o filho de beijos e caricias. Um tratamento que têm noção que em mais lado algum, por mais boa que seja a instituição, serão capazes de oferecer a Arménio.
“Ele acorda a receber beijos e adormece a receber beijos. (…) Quando íamos com ele à missa, ele só queria estar até ao abraço da paz, que era para receber beijos. A parti daí só queria vir embora”, descreve, ao Correio de Azeméis, Manuel Coelho.
São momentos como este que preenchem o coração de Arménio de alegria. Além disso, adora passear. O pai descreve a euforia quando antes saíam de casa e paravam numa bomba de gasolina para abastecer. Pois para Arménio significava que iam passear. No entanto, com o passar dos anos Helena e Manuel Coelho, deixaram de conseguir ter condições de o transportar, os ossos do Arménio foram-se deformando e eles já não têm a força de outrora para pegar nele.
“Antigamente tinha um carro com um tejadilho de vidro, ele ia deitado no banco atrás e sabia exatamente por onde estávamos a passar. (…) No regresso a casa ele já começava a refilar, porque reconhecia o caminho e só queria era voltar para trás. (…) Aconteceu chegar a casa, colocar o carro na garagem e ter de retirar o carro novamente porque ele gritava de tão frustrado que estava.”, conta Manuel, que refere ainda que antes de voltarem para casa, a paragem no café, era obrigatória, uma vez que Arménio adorava o convívio com as pessoas. 
Os dias são agora passados no quarto, deitado, a ver televisão. Apenas sai para ir às consultas do centro de paralisia, mas até isso com a pandemia levou, pois as consultas começaram a ser por telefone. Com a idade avançada dos pais e com o evoluir dos problemas de Arménio, o maior receio atual do casal é partir e o seu filho ficar sozinho neste mundo sem o amor que os pais sempre lhe deram.
“Ele é o anjo da paz da minha casa, se eu estiver chateado com a minha mulher, quem sofre é ele. Começa logo aos gritos, parece impossível, mas ele é que manda. E o nosso maior medo é sem dúvida, se nós vamos e ele fica…”, desabafa Manuel Coelho, que admite não terem ninguém a quem deixar o filho.
Assim se vai vivendo, um dia de cada vez, como refere Helena, “só peço a Deus que me dê saúde para tratar dele. Enquanto tiver braços e pernas vou cuidar do meu filho.” 

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