Fortalecimento das Famílias: a importância da Terapia Familiar

Catarina Gomes

Catarina Gomes *

(Continuação da edição anteior)
Não podemos ter problemas, está tudo bem, as questões resolvem-se, normalizamos demais questões que podem acontecer em muitas famílias, mas podem ser vividas de forma diferente. Tudo aquilo que nos leva a estar em esforço, pode e deve ser pensado e mudado. 
Atualmente não há uma procura muito aberta deste tipo de intervenção, e, quando há, vem sempre com o foco no problema. Recorre-se à terapia quase em última linha. Quando já se fez tudo, já se dormiu muitas más noites, já se procurou ajuda individual. Quando o desafio está na família, deve ser a família, no seu conjunto, a encontrar uma solução. Por isso é que a TF poderá ser o ideal, porque vamos intervir na dinâmica familiar. 
Têm que vir todos? Não têm, mas acreditamos que cada um tem a sua visão do que se está a passar na família, e há momentos de lamparina mágica - “ah, tu sentes isso!”. O contexto da TF promove um momento de partilha em que todos se ouvem. Se for algo procurado mais cedo, não há tantas feridas e a probabilidade de ser bem-sucedida aumenta. Ao chamar todos os elementos da família, estamos a dar responsabilidade a todos. Todos são parte integrante da família, e por muito que pensem que não fazem muito, acabam sempre por influenciar a família. 
Há inúmeras temáticas que podem ser abordadas neste tipo de intervenção: lutos; perdas; lidar com situações de consumos/dependências; enureses (perdas involuntárias de urina) e encopreses (ausência de controle do esfíncter) infantis; problemas de comportamento; relação entre os irmãos; estilos parentais diferentes; relação que a família nuclear com a família alargada (avós, tios); mudanças de papéis na família; transgeracionalidade; adoção; novos tipos de família, para citar apenas alguns exemplos. 
A formação de Terapeuta Familiar é uma formação certificada pela Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar. E é um processo de formação longo e com componente teórica e prática. Mesmo nós, terapeutas, passamos por um período de auto-análise da nossa própria história e de identificação de determinadas temáticas que podem ter impacto em cada um, individualmente. Isto não significa que o terapeuta não tenha empatia, mas sim que tenha uma maior consciência e consiga trazer maior neutralidade para a sessão. Outro aspeto diferenciador deste tipo de intervenção é o facto de ser realizado em dupla, em co-terapia, ou seja, é realizada por dois terapeutas. Toda a conceptualização dos casos, a análise do pedido, as reflexões pós-sessões. O fazer isto com outro colega, também ajuda a perceber os gatilhos que podem ser accionados. Tendo consciência disso, terei, à partida, mais ferramentas e em dupla conseguirmos lidar com o que surgir. 
Como se processa? A família faz um pedido, orientado por uma ficha de recolha do pedido inicial. Neste primeiro contacto até podemos perceber que não somos a resposta mais adequada e até haver um serviço mais especializado para o pedido em si. 
(Continua na próxima edição)
*Psicóloga, Terapeuta Familiar e de Casal

 

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