Santa Maria de Ul em 1758

António Magalhães

António Magalhães

As Memórias Paroquiais de 1758 são o resultado de um inquérito realizado a todas as paróquias de Portugal. Teve lugar em 1758, três anos após o sismo de Lisboa, a mando do Marquês de Pombal.

Homem forte do regime, quase um senhor absoluto, o poder de Pombal ruiu com a morte do rei D. José, em 1777. Demitido por decreto régio, acusado de abuso de poder e peculato, teve que responder a um processo que o julgou culpado. A idade é decisiva na pena e o Marquês foi forçado a abandonar a capital e partir para reclusão na sua quinta, onde faleceu em 1782.
As Memórias Paroquiais de 1758, recolhidas na Torre do Tombo, constituem um precioso e insubstituível documento para o estudo da nossa História. Todos os párocos foram convidados a responder. Naturalmente, uns mais cultos e mais interessados que outros, e daí a qualidade dos textos. Felizmente para Ul, o Abade Cláudio Borges de Araújo revela-se-nos homem sábio, estudioso e interessado, legando-nos um retrato exaustivo da Santa Maria de Ul de 1758, com pormenores que vão até à descrição rigorosa de todos os moinhos dos rios Ul e Antuã.
 Ficamos todos a saber que em Ouriçosa laborava um moinho de casca de carvalho, material usado no fabrico de curtumes: o Inquérito Industrial de 1881 diz-nos que em Santiago de Riba-Ul funcionava uma fábrica de curtumes, no lugar da Senhora da Conceição, com oito operários e 23 tanques, usando casca, cal, lixo de pombos, sumagre e pedra hume. A nossa freguesia de Ul possuía apenas uma ponte de pedra, a da Salgueirinha; todas as restantes eram de madeira, que as cheias iam arrastando e o pobre povo reconstruindo.  Já se realizavam, desde data imemorial, os festejos a São Brás, com grande afluência de romeiros. Os ulenses eram então 671 – 544 adultos e 127 crianças. Quantas serão, hoje, as crianças da freguesia?
Muito útil é a descrição pormenorizada da igreja de então, demolida para dar lugar à actual, concluída em 1790, consoante se lê na verga da porta de acesso à sacristia. Vejamos então, reproduzida na íntegra, respeitando quanto possível o texto original:
“É o orago desta freguesia Nossa Senhora da Assunção. Tem a igreja três altares: o Mor e dois aos lados do arco da Capela-Mor. No Altar Mor está o Santíssimo Sacramento e à direita está a imagem de Nossa Senhora da Assunção Padroeira e junto a ela a imagem de São José e da outra parte está a imagem de Santa Ana e no altar da parte Nascente está a imagem de Santo António e deste tem o seu nome, tem mais uma imagem de Nossa Senhora que algum tempo esteve por Padroeira, mais tem a imagem de São Francisco, a de Santo Ouvido (sic) e a de São Gonçalo; o altar da parte do Poente é da Senhora do Rosário, tem a sua imagem e também a de São Brás a quem no seu dia concorre muita gente; tem mais a imagem da Santíssima Trindade e uma imagem pequena do Senhor Crucificado; não tem naves esta igreja, está toda em um sovão (sic); as Irmandades que têm que chamam Confrarias são a do Santíssimo Sacramento, a de Nossa Senhora do Rosário, a do Santo Nome de Jesus, a de Santo António, a da Senhora de Agosto que é a da Padroeira e a de São Braz”.  
 Sobre a data da construção deste primitivo templo nada se sabe, mas de certeza muito antigo. Um valioso trabalho publicado em 1951 pelo apaixonado historiador Abade Arede diz-nos que a paróquia propriamente dita terá sido organizada no século XII, mas já na Idade Média a Igreja de Santa Maria de Ul pagava censos à Sé do Porto para sustento do Bispo e do Cabido. Nos tempos de D. Diniz (1279 – 1325) foi taxada com uma espécie de “imposto de guerra” destinado às lutas contra os mouros.
A construção da actual igreja, no espaço da anterior, principiou em 1780 e terminou em 1790, sendo, na altura, uma das mais espaçosas e ricas do concelho. E ainda hoje ocupa lugar cimeiro. Sucessivas obras através dos tempos a beneficiaram e das mais recentes todos nos lembramos, fruto da generosidade de conhecidos beneméritos. 
Uma paróquia que os nossos ancestrais colocaram sob a protecção de Nossa Senhora da Assunção, assim nos ensinam os mais antigos textos, muito parcialmente aqui recordados, rejeitando quaisquer desnecessárias fantasias. E assim acontecerá pelos tempos fora: 15 de Agosto será dia festivo em Ul, consagrado à padroeira Nossa Senhora da Assunção. 
 (Escrito segunda a anterior ortografia)

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